quarta-feira, 10 de abril de 2013


5 ideias para inovar com pouco investimento

Professor do IMD, Ishtiaq Pasha Mahmood aponta formas de gerar inovação com baixo 
investimento e alto retorno financeiro.
 Por Bárbara Ladeia 
                                                                                                                                                                    Rego Korosi/Creative Commons

Menino segurando uma lampada ideia


O sucesso pode levar a empresa à inércia criativa
Inovação nem sempre é sinônimo de vultosos investimentos em pesquisa e desenvolvimento seguidos de lançamentos ultramodernos com tecnologia de ponta. Em visita ao Brasil, o bengali Ishtiaq Pasha Mahmood, professor de estratégia e negócios asiáticos do IMD, escola de negócios suíça, expôs os conceitos da chamada “inovação frugal”.
O único pressuposto é o ganho de escala na entrega de produtos e serviços.  “Inovação frugal é oferecer o máximo de inovação a partir do mínimo de recursos para o máximo de pessoas”, diz Mahmood. 
Em aula para executivos de grandes empresas brasileiras, o especialista apresentou ideias para companhias que pretendem mergulhar no lucrativo mundo da inovação a partir dos negócios em larga escala.
1 Inovações simples podem aproximar empresa do cliente
Pode parecer óbvio, mas é fundamental partir das necessidades do consumidor para construir um sólido raciocínio inovador.  “Com simples observações é possível fazer pequenas inovações e elevar o potencial de consumo dos produtos”, afirma Mahmood.
Exemplo disso foi o lançamento do Nokia 101 na Índia. Para atender ao público local, a empresa lançou um modelo de celular com capacidade para até cinco chips e cinco agendas - o uso coletivo de um mesmo aparelho é comum no país. 
As baterias utilizadas também foram escolhidas a dedo. “Baterias de longa duração são muito importantes para o consumidor indiano, que enfrenta racionamento de energia com frequência”, diz o professor do IMD. 
2  A falta de infraestrutura pode ajudar 
Observar as falhas da infraestrutura é o primeiro passo para pensar um negócio inovador de amplo alcance. Foi o que aconteceu com a Nókia. A empresa identificou nas dificuldades com a energia elétrica uma oportunidade para melhorar seu produto ampliando a penetração no mercado indiano.
Também na Índia, as dificuldades com a saúde pública foram o principal motor da Aravind Eye Care, rede de hospitais oftalmológicos. Cerca de 30% dos casos de cegueira registrados no país poderiam ser evitados com profilaxia.
No último ano, a rede atendeu aproximadamente 2,3 milhões de pessoas e realizou mais de 270 444 cirurgias a preços populares – a partir de 10 dólares. Segundo Mahmood, o retorno sobre investimento do negócio, atualmente, é de 40%. Esse é o valor se não for considerado o intangível retorno social do trabalho.
3 A inovação pode estar na mudança do sistema de negócio
O sucesso da Aravind Eye Care é prova de que para ser inovação, não é necessário grande aparato tecnológico nem o desenvolvimento de equipamentos revolucionários de última geração. 
Os grandes investimentos em pesquisa e desenvolvimento tampouco são condição imprescindível para o sucesso de uma estratégia inovadora. Mahmood explica que a mudança de valor pode ser a principal matéria-prima da inovação.
“A inovação também está em criar uma proposta única de valor agregado ao produto ou serviço”, afirma. Para isso, o sistema de negócio e o fluxo das operações têm de se encaixar a proposta. 
4 Custo do produto deve estar ligado ao perfil do consumidor
Não só o sistema do negócio, mas o custo do produto também pode ser orientado pelo consumidor. É o caso da bem-sucedida rede de hotéis Formula 1, usado como exemplo pelo professor,  que investe pesadamente nos serviços essenciais como higiene e conforto que nos aparatos de luxo e concierge.
“O público dessa rede, via de regra, viaja a negócios e apenas vai ao hotel à noite para pernoitar”, diz. “Nesses casos, a estrutura de luxo disponível não será considerada pelo consumidor na hora de avaliar o preço e a relação entre custo e benefício.”
5 O sucesso pode levar a empresa à inércia
“O sucesso é uma das principais causas da inércia em uma empresa”, afirma Mahmood, que sugere que todo processo de inovação parta do zero. Considerar, em primeira instância, processos e produtos bem sucedidos pode prejudicar o desenvolvimento da inovação.
Mais que isso, o professor do IMD afirma que “quando não há problemas, é muito mais difícil pontuar a própria inércia”. A estratégia é olhar para o funcionamento de outros mercados e empresas que se diferenciem completamente da estrutura à qual se está habituado.
Não por acaso, boa parte das inovações vêm de startups. “Uma startup sempre começa do zero, sem produtos”, afirma Mahmood que admira a estratégia de inovação de Warren Buffet, presidente da Berkshire Hathaway. “Ele tem uma pessoa exclusivamente dedicada a pontuar problemas nas análises, gestão e operações da Berkshire”, diz. ”Buffet paga alguém para dizer que ele está errado e assim não perder a capacidade de inovar nos negócios.”

terça-feira, 9 de abril de 2013



Empreendedores devem ter lucro e orgulho, diz Abílio Diniz


O empresário falou hoje (02/04/2013) durante a quarta edição do Curso Exame PME

Por Priscila Zuini - Foto Alexandre CarvalhoAbílio Diniz, empresário, durante a quarta edição do Curso Exame PME, em São Paulo



























Um dos empresários mais admirados do país, Abílio Diniz, presidente do conselho de administração do Grupo Pão de Açúcar, ensinou a mais de 500 empreendedores seus segredos para equilibrar negócios e qualidade de vida. O empresário fez a palestra de abertura da quarta edição do Curso Exame PME, que acontece entre hoje e amanhã, em São Paulo.

Com mais de 50 anos de carreira, Diniz lembrou a importância de qualquer empresa ter modelos de gestão bem definidos para funcionar. “Gestão é desenvolver modelos na sua empresa, seja ela pequena, grande ou média. É importante organizar a empresa de forma que o trabalho flua sem empecilhos”, diz. 

Dois pontos são essenciais nesta gestão, segundo o empresário. “Para mim, as empresas são todas iguais, podem ter campos de atuação diferentes, mas em termos de administração são todas iguais e são gente e processos. Se as coisas estão dando certo, pode ter certeza que os processos e as pessoas estão corretos”, explica. 

Capitalismo consciente

Diniz defendeu que os empresários devem seguir a ideia de capitalismo consciente. O conceito, divulgado pelo guru indiano Rajendra Sisodia, diz que as empresas devem ir além do lucro. “O capitalismo consciente que eu acredito é que todas as empresas têm que buscar ter lucro, se não tiver lucro não vão a lugar nenhum, quebram, se perdem pelo caminho. Porém, deve ter na empresa alguma coisa a mais, alguma coisa que lhe dê orgulho do que está fazendo”, diz.

Para chegar neste patamar, Diniz sugere seu ciclo de alta performance, que inclui ter “pessoas certas, comprometidas e felizes, processos claros e eficientes, fornecedores satisfeitos e comprometidos com qualidade e preço, clientes felizes e fieis e comprometimentos com a sociedade, com o país e com o planeta”.

Enquanto por dentro todas as empresas são parecidas, no mercado, é preciso se destacar. “Quando vai lançar uma empresa, é importante sempre se questionar qual o seu propósito, quais são os seus diferenciais, o que tem de diferente no que está produzindo ou vendendo”, ensina.

Valores

Diniz falou ainda sobre os quatro valores que, segundo ele, são fundamentais e resumem seu trabalho e sua vida. O primeiro deles é humildade. “Não é usar roupa velha ou fazer votos de pobreza. É ter consciência de que não sabe tudo, estar sempre aprendendo, saber ouvir com atenção, não desvalorizar as coisas que os outros têm, não se considerar superior”, afirma. 

Para ele, esta é uma das qualidades mais valiosas em líderes. “Ouvir é uma das características mais importantes dos líderes. Eles têm que saber ouvir, até para estimular os liderados a terem mais criatividade, se exporem”, diz. Seu segundo valor é determinação. “Tem que saber o que quer, para onde vai, de onde vem, o que vai conquistar, onde está o seu sucesso, o que está pretendendo buscar. Saber o que quer e querer mesmo, com garra”, explica.

Conhecido pela rotina controlada, Diniz destaca a disciplina como um valor importante. “Tem gente que diz que sou irritantemente disciplinado. Disciplina é quase como uma ferramenta, que nos permite ter mais eficiência naquilo que fazemos”, conta. 

Para ele, a disciplina é essencial para alimentar seu quarto valor, o equilíbrio emocional. “Não adianta estar bem no papel de empresário e em casa ter uma vida ruim. Ou trabalhar tanto que não dá atenção aos filhos. O que está ruim vai poluir o que está bom. Esse equilíbrio na vida é fundamental”, ensina. 

Qualidade de vida 

Além de disciplina e cultura empresarial, Diniz falou da importância de cuidar da saúde e da qualidade de vida. “Eu busco sempre a felicidade. Para atingir isso, me apoio em algumas coisas. Atividade física, alimentação saudável, autoconhecimento. Eu gosto de tudo aquilo que vocês gostam, só que eu não como lasanha no almoço e feijoada no jantar. Tem que olhar o que come e cuidar de si”, ensina. 

Sobre o estresse da rotina dos empreendedores, o empresário diz que não adianta combatê-lo. “Tem que controlá-lo, com rotinas e pequenas coisas. Vida sem estresse não existe, seria um negócio chatérrimo, por isso, precisa administrar e saber como lidar com ele”, ensina. 

Futuro

O empresário defendeu as medidas do governo para desonerar as empresas, mas lembrou que pequenos empresários devem buscar seus diferenciais independente das ações governamentais. “Tem que sair por um caminho de bater a concorrência, ser mais competitivo. O futuro está com vocês, vocês vão crescer, se desenvolver, vão fazer futuro. Quanto mais buscarem aprender, melhor farão o futuro lá na frente”, ensina. 

domingo, 7 de abril de 2013

5 dicas para encontrar o preço certo

Confira quais são as estratégias de pricing fundamentais para posicionar marcas e lançar produtos no mercado

Por Alexandre Finelli 
 Shutterstock

Encontrar o preço certo para produtos e serviços pode ser um processo bastante complexo para novos empreendedores. Além de afetar diretamente a rentabilidade do negócio, a percepção de valor é fundamental para o posicionamento da marca entre os consumidores. Segundo Frederico Zornig, sócio da consultoria QuantiZ Pricing Solutions, calcular a margem de lucro a partir de custos fixos e variáveis é apenas o primeiro passo de uma estratégia de pricing eficiente. “Não se deve perder muito tempo com aspectos básicos e operacionais. O planejamento de preços deve ser pensado de forma estratégica e se adequar à realidade do mercado.” A seguir, o especialista apresenta cinco estratégias básicas para encontrar o preço certo. 

1-Trace uma estratégia 
Estratégias de pricing devem acompanhar o planejamento de marketing desde o lançamento de um produto. A decisão de cobrar valores mais baixos ou mais altos varia de acordo com cada caso. O importante é alinhar toda a comunicação para o consumidor de acordo com o posicionamento inicial. Linhas de produto diferentes, localização geográfica e canais de vendas também devem ser levados em conta. 

2-Crie uma política transparente 
É importante que os consumidores sintam transparência e justiça nas ofertas apresentadas pela empresa. Nenhuma estratégia de preço se sustenta a longo prazo caso o público não entenda o valor real – e os custos - do produto final. 

3-Treine a equipe de vendas 
A ânsia de atingir metas faz com que muitas empresas ignorem os erros de equipes de vendas. Isso inclui a descaracterização agressiva da margem de lucro para ganhar com volume. Desse modo, é necessário criar mecanismos de controle de preços e recompensas por lucratividade para áreas comerciais. Treinamentos de negociação podem trazer bons resultados nesse sentido. 


4-Converse com seus clientes 
Caso seja necessário fazer alguma mudança nos preços, comunique os seus clientes com antecedência. Embora o aviso possa custar algumas vendas no curto prazo, a transparência no diálogo fortalece relações e ajuda no crescimento sustentável do negócio. 
5-Monitore constantemente 
Os sistemas de gestão automatizados facilitaram o aspecto operacional do controle de preços. O empreendedor deve usar essa tecnologia ao seu favor e se munir de informações estratégicas para gerenciar proativamente as práticas da concorrência e corrigir desvios do planejamento inicial. 


II Fórum de Coaching e Desenvolvimento do Potencial Humano - Maceió - Al


Informações: Tel.: (82)3326.2690 ou (82) 3313.2690 

Site: www.abrh-al.com.br / E-mail: abrhal@abrh-al.com.br

quinta-feira, 4 de abril de 2013

terça-feira, 2 de abril de 2013


Loja online de roupas planeja quadruplicar o faturamento em 2013


FiveBlu vende peças de fabricação própria apenas na internet

Por Karin Salomão
   Divulgação
Luca Marini, 29, fundador da FiveBlu
A venda de roupas, calçados e acessórios pela internet cresce a cada ano. Em 2012, o segmento ficou em segundo lugar no volume de vendas pela internet, com 12,2%, segundo a consultoria e-bit. Espera-se que até 2015 o faturamento alcance R$ 50 bilhões e chegue a R$ 100 bilhões em 2020, de acordo com uma estimativa da consultoria McKinsey.

Foi de olho nesses números astronômicos que a FiveBlusurgiu. O site de compras de roupas e acessórios de fabricação própria entrou no ar em abril do ano passado, comandado pelo italiano Luca Marini, 29 anos. Nos primeiros oito meses de existência, o faturamento atingiu R$25 milhões. Em 2013, a empresa pretende chegar aos R$100 milhões de faturamento.

Como uma fast fashion, a marca lança novas peças com produção limitada frequentemente, para dar uma sensação de rapidez e urgência ao consumidor. O e-commerce foi aberto com 750 peças no portfólio. Para a coleção de verão 2013, foram produzidas quatro mil peças e a próxima temporada, de inverno, contará com mais de sete mil modelos, que serão lançados aos poucos. Voltadas ao público jovem, as peças vão do básico ao casual chique, com preço médio de R$ 100.

A FiveBlu optou por vender essencialmente peças fabricadas no Brasil – com exceção de alguns óculos importados. Segundo Marini, a produção nacional acelera o processo e facilita o contato com os fabricantes. A equipe de 32 pessoas tem três estilistas, que buscam inspiração em semanas de moda pelo mundo, como Paris, Londres e Nova York.

Para enfrentar a concorrência, a empresa adotou a política de frete, troca e devolução gratuitos. A marca também oferece um guia de medidas no site e torce pela padronização dos tamanhos de roupas no país.


Um italiano empreendendo no Brasil Em novembro de 2011, um dos fundadores da Dafiti, o alemão Malte Horeyseck, falou com Luca Marini sobre a possibilidade de abrir um novo empreendimento no Brasil enquanto os dois estudavam juntos em Harvard. Horeyseck apresentou Marini à Rocket Internet, investidora do projeto e de outros negócios por aqui, como o Groupon, a Dafiti e a Glossy Box. A investidora, então, o escolheu como cabeça do desenvolvimento da FiveBlu.

Marini vendeu a casa, alguns móveis, mandou o resto dos objetos para a casa de seus pais na Itália e, com duas malas, chegou ao Brasil em janeiro de 2012. Aprendeu português ao discutir com os fornecedores de Blumenau (SC) e, no começo fez entrevistas para contratação de funcionários em padarias, já que a FiveBlu ainda não tinha escritório. “São Paulo, a selva de concreto, não é muito acolhedora, mas é um lugar muito propício para o crescimento de novos negócios”, diz Marini, que achava que “só quem tem muita grana e sorte pode ser empreendedor”.

As questões miúdas dos negócios globais

Subestimar o impacto de impostos, vistos ou leis locais pode pôr a perder sua estratégia de exportação

Por Igor Tasic*
   Divulgação

Escrevo este texto em português para uma maioria de leitores brasileiros, mas estou num voo entre o sul da Espanha e o norte da Alemanha, indo visitar um cliente e uma importante feira do setor de bebidas. A sensação de ser global é real, e o mundo, de fato, nunca foi tão conectado. No entanto, aspectos, digamos, “mundanos” nos trazem para a realidade e nos indicam que ainda estamos muito longe de viver em um mundo de livre circulação, especialmente quando se trata de negócios internacionais.

Mas que aspectos são esses? Impostos, leis, vistos etc. São pontos que muitas vezes colocamos em um segundo plano na hora de pensar em nossa estratégia internacional, mas que possuem um impacto direto no sucesso do nosso negócio lá fora.

Alguns exemplos de como esses pontos podem impactar sua estratégia internacional:

• Estratégia de preços: Que impostos incidem no seu produto/serviço quando você vende no exterior? Seu produto/serviço chegaria a um preço competitivo ao seu cliente final? Valeria a pena produzir localmente para evitar impostos? Vou conseguir uma margem interessante se vendo no país XYZ?
• Logística: Quanto tempo leva para desembaraçar meu produto na aduana? Existem fretes competitivos caso eu tenha um pedido em uma cidade fora dos principais centros de distribuição? Preciso de um estoque local? Quanto custa manter um estoque em um centro de distribuição no país XYZ? Qual estratégia de distribuição otimiza meus custos? 
• Recursos humanos: Como faço para enviar meu time para trabalhar por um período no exterior (por exemplo, dando suporte técnico para um equipamento que você vendeu)? Quanto vai custar expatriar um executivo para tocar as operações no país XYZ? Quero contratar um engenheiro europeu com a experiência exata de que necessito; quanto tempo levará para lidar com a papelada? E qual será o custo final?

Vivemos em um mundo competitivo. Portanto, a sua estratégia internacional não pode se dar ao luxo de não ser competitiva em todos os aspectos relativos ao processo de internacionalização. Você pode ter o melhor produto/serviço, mas, se não conseguir o tão famoso “preço & prazo”, já larga em grande desvantagem na corrida dos negócios globais.

Portanto, saiba quais são as regras do jogo. Invista em informações e assessoria de melhor qualidade possível (consultores, advogados, contadores etc.), pois qualquer pequeno erro nesses critérios tão “mundanos” pode (e certamente vai) custar muito caro para a estratégia internacional do seu negócio.

* Igor Tasic é CEO da Atlantico Partners (www.atlanticopartners.com), e-mail:igor.tasic@atlanticopartners.com